Como encarar a pandemia de um jeito diferente

Escrito por uma UX Designer

Mesmo que você não saiba o que é UX Design, não se prive de ler o texto, isso não irá interferir na sua compreensão e interpretação do mesmo.

Estamos todos enfrentando o desafio de tentar sobreviver e manter a sanidade mental. Cada um do seu modo, estamos todos na mesma, com o objetivo de passar por este momento da melhor e menos dolorosa forma possível. Todos à flor da pele, além do limite, emocionalmente abalados.

Neste cenário, o caos é total: pra quem mantem o isolamento está ruim, pra quem sai também. Os desempregados estão preocupados em busca de recolocação, os que têm emprego estão esgotados, trabalhando o dobro, o triplo, ou sei lá quantas vezes mais pra compensar os que foram desligados. Tá ruim pra quem tem e pra quem não tem escolha sobre sair de casa. Tá ruim pra quem sai só às vezes, pra quem não sai nunca, pra quem sai sempre. Tá ruim pra quem está mandando as crianças pra escola e pra quem não está mandando. Está ruim inclusive para as crianças.

Está tudo de cabeça pra baixo, revirado, não tem quem escape do terremoto global que está acontecendo. E o mundo, cada vez mais, adoecendo emocionalmente.

Analisando mais à fundo, como se não bastasse tudo isso, estamos nos apontando e tornando tudo ainda mais sensível. Quem faz de um jeito contesta quem faz de outro e vice e versa. Estamos todos achando que somos donos da verdade, cada um com a sua. Quando, na verdade, somos donos apenas das nossas escolhas individuais.

Estamos tão focados no nosso próprio ponto de vista que ignoramos os outros que existem, gostemos deles ou não. O que você tem CERTEZA sobre o que é melhor pro outro é apenas uma SUPOSIÇÃO, sem sombra de DÚVIDA.

Como poderíamos, então, encontrar uma forma diferente de encarar a pandemia?

Que tal se começarmos a olhar mais sobre o barco furado que estamos todos do que como cada um escolhe tentar se salvar? Se vai pular no mar e sair nadando, se vai jogar uma corda e se agarrar nela, se vai usar uma boia e esperar que alguém resgate, se vai esperar a tempestade passar, se vai ficar dentro do barco enquanto ele não afunda… quem somos nós pra dizer como cada um tem que salvar a sua própria vida?

Você não está na minha pele, nem eu na sua. Eu posso dizer o que acredito que é melhor pra mim, mas não posso dizer que esse é o melhor pra você, e tentar empurrar o meu jeito de fazer. Se você está lendo esse texto, já tem um mínimo de discernimento pra saber que suas decisões têm consequências. Pra você e pros outros. Mas, novamente, só você pode decidir.

É importante ressaltar que não estou dizendo que temos que fazer A ou Z, porque embora eu tenha a minha opinião, sob o meu ponto de vista, não é este “U X” (leia-se o xis) da questão aqui. Estou dizendo pra encararmos a realidade e entendermos que estamos todos sendo afetados. E, nisso, estamos juntos. E se olharmos pro lado com mais empatia e menos imposição da nossa verdade sobre o outro, talvez a gente consiga se ajudar mais.

Você já se perguntou, sem julgamento, o motivo de alguém decidir manter o isolamento ou sair, por exemplo? E pra essa pessoa, você já perguntou, sem julgamento, tentando entender de verdade o lado dela?

Sinceramente, ao meu ver, a raiz deste problema não é sobre cada um estar tomando suas decisões. Que cada um vai fazer suas próprias escolhas, é um fato. Podemos expor nossa opinião, mas não controlar o que o outro pensa, sente e faz a respeito dela. Cada um tem suas próprias emoções, suas dores, suas jornadas pessoais de vida, seus processos internos. E, se nem com vários anos de terapia, é simples um indivíduo entender absolutamente tudo sobre si mesmo, que dirá um outro alguém?!

O que eu gostaria de propor com esse ponto de vista é: por mais que você esteja no seu direito de discordar dele, permita-se, ao menos, refletir que existem formas de olhar diferentes da sua.

Nosso barco tá furado, gente. E jogar mais água pra dentro não vai ajudar…

Sou uma UX Designer completamente apaixonada por buscar soluções que estejam de fato baseadas nas reais necessidades do usuário.

Sou uma UX Designer completamente apaixonada por buscar soluções que estejam de fato baseadas nas reais necessidades do usuário.