O que falta pra você realmente prestar atenção?

Linguagem e inclusão: não dá mais pra deixar passar batido!

A foto mostra os olhos de uma pessoa arregalados. Referência: Christian Buehner (Unsplash)

Ford, Lufthansa, e diversas empresas já estão tomando atitudes de peso e se posicionando. O que falta pra você, no mínimo, olhar com atenção pra questões de linguagem e inclusão?

Há determinados debates que pra nós são apenas como carros passando na rua ou aviões no céu: sabemos que eles estão ali em movimento mas mantemos um olhar inconsciente e superficial. Não analisamos com atenção ou profundidade, não nos envolvemos, apenas coexistimos.

De carros passando na rua a Ford entende bem, de aviões no céu a Lufthansa também, mas meu destaque aqui vai para um assunto que todo mundo precisa entender independente de qualquer coisa: comunicar-se levando em conta a inclusão não é mais algo só pra deixar passar diante dos nossos olhos, mas sim algo que precisa passar a fazer parte com uma maior atenção do nosso olhar.

Veja esta reportagem, que é uma aula sobre algumas maneiras de adotar a linguagem neutra em relação a gêneros, uma vez que a Lufthansa propõe alternativas cuidadosas para que ninguém se sinta excluído.

Vejo acontecendo gradativamente uma evolução histórica da comunicação, onde a busca constante por soluções que incluam a todos é cada vez mais apurada:

  • Começamos usando o "@" e o "x" para evitar determinar o gênero das palavras. Com o tempo percebeu-se que isso acabava excluindo pessoas que usam leitores de tela, uma vez que eles não pronunciam de forma clara as palavras que carregam estes artifícios (veja neste artigo o motivo). Além disso, houve resistência pelo fato de não fazerem parte das normas da língua portuguesa que temos hoje
  • Tentamos usar a letra "e" no lugar das vogais, mas também encontramos alguns casos onde ela não funcionava, além de também não ser considerado correto dentro da nossa língua
  • Pensamos então em usar a palavra no feminino e no masculino juntas, que além de deixar o texto mais longo, deixava também de incluir pessoas que não se identificam nem com o gênero feminino, nem com o masculino
  • Até chegarmos nas soluções como as que a Lufthansa está utilizando:

Na mesma reportagem de onde foram retiradas as frases acima, temos considerações importantes da Ford, que também fez mudanças em suas regras de linguagem a favor de um ambiente de trabalho mais inclusivo, como a substituição do título de chairman (tradução literal: cadeira + homem, significando o cargo de presidente) por "chair".

Neste caso pode-se dizer que há licença poética e não algo que vai contra a língua existente, afinal as empresas podem nomear seus cargos internos do jeito que quiserem.

O fato é que não dá mais para deixar o assunto passar batido, achar que isso é algo distante ou que não cabe a você. Cabe a todos nós e o mundo já está caminhando nesse sentido, quem não quiser acompanhar vai ficar deslocado.

Caso ainda não tenha feito, comece agora um movimento pessoal para se informar mais a respeito, debater com outras pessoas, agir ao invés de ficar somente de expectador.

Se ainda falta alguma coisa pra você olhar com atenção pra questões de linguagem e inclusão, venho por meio deste informar que o que falta, na verdade, é somente você! ;)

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Sou uma UX Designer completamente apaixonada por buscar soluções que estejam de fato baseadas nas reais necessidades do usuário.

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